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06.08.26 às 11:02

Lançamento de livro de Ernesto Nunes Brandão

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Na noite de 4 de agosto de 2026, a Casa da Lua, no Espaço Cultural Vila Esperança, recebeu o lançamento do livro Caminhos, tramas e diálogos do tornar-se sujeito, do psicólogo e pesquisador Ernesto Nunes Brandão. O encontro reuniu educadores, pesquisadores, estudantes e integrantes da comunidade para uma conversa sobre os caminhos percorridos durante a pesquisa que deu origem à obra, construída a partir da convivência com as crianças da Escola Pluricultural Odé Kayodê. A abertura foi conduzida pelo antropólogo e doutorando Robson Max, presidente da Vila Esperança, que pediu licença aos ancestrais, agradeceu a presença do público presencial e online e destacou a importância da produção intelectual que nasce da própria comunidade como patrimônio coletivo.

Resultado da pesquisa de mestrado desenvolvida por Ernesto entre 2013 e 2016, o livro apresenta uma etnografia que desloca o olhar tradicional da pesquisa acadêmica para colocar as crianças no centro da produção do conhecimento. Durante a conversa, o autor compartilhou os desafios metodológicos do trabalho, defendendo uma postura baseada na escuta, na convivência cotidiana e na abertura para questionar certezas consolidadas pela psicologia do desenvolvimento e por perspectivas eurocêntricas. Ao refletir sobre as transformações vividas pela Vila Esperança e por sua própria trajetória desde a conclusão da pesquisa, Ernesto ressaltou que o conhecimento permanece vivo apenas quando pode ser continuamente reinterpretado, convidando as pessoas leitoras a dialogarem criticamente com a obra e a construírem suas próprias “marginálias” nas páginas do livro.

O debate também abordou os desafios da educação contemporânea diante da cultura digital, reafirmando a infância como espaço de criação, curiosidade e invenção de novos modos de aprender. Educadores compartilharam relatos sobre as transformações provocadas pela experiência na Vila Esperança, enquanto Ernesto destacou a necessidade de descentralizar o olhar adulto para reconhecer as crianças como sujeitos e colaboradoras da pesquisa e da educação. Encerrando a noite, o autor relembrou a defesa de seu mestrado, apresentada em forma de contação de histórias acompanhada por música, gesto que simboliza a própria proposta do livro: romper formatos rígidos, ampliar as possibilidades de diálogo e reafirmar a educação como um processo permanente de escuta, imaginação e transformação.

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